Embalagem homologada para o transporte de resíduos perigosos

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PGRS 2026: como integrar logística reversa, NBR 10.004:2024 e novas normas no seu plano

O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) deixou de ser um documento estático para se tornar o cérebro da estratégia ESG das empresas em 2026. Com a chegada do Decreto 12.688/2025, a atualização da NBR 10.004:2024 e a prorrogação do RAPP pelo IBAMA, seu PGRS precisa contemplar o ciclo de vida completo das embalagens — e não apenas o destino do resíduo.

Este guia foi desenvolvido para gestores ambientais que precisam atualizar ou reestruturar o PGRS em conformidade com o novo ecossistema regulatório.

Conteúdo obrigatório do PGRS em 2026

Um PGRS robusto em 2026 deve incluir elementos que não eram exigidos em versões anteriores. O inventário de resíduos precisa ser atualizado com a nomenclatura da NBR 10.004:2024, classificando todos os resíduos como Classe 1 (Perigosos) ou Classe 2 (Não Perigosos), sem referência às extintas subclasses II-A e II-B.

O plano de logística reversa deve demonstrar como a empresa atingirá a meta de 32% de recuperação de embalagens plásticas exigida pelo Decreto 12.688/2025. Isso inclui identificar quais embalagens são rastreáveis (como big bags de PP virgem) e quais não contribuem para a meta.

A especificação de embalagens homologadas deve indicar o tipo de big bag utilizado (ex: 13H3 com liner, estruturado, condutivo), o número do CAM Inmetro e a vinculação ao LCR de cada resíduo. E o plano de consistência documental deve garantir que os dados do PGRS sejam coerentes com o MTR, o MDF-e e o RAPP.

O elo com o RAPP: prazo prorrogado para 31 de maio de 2026

Atenção ao calendário: conforme a Instrução Normativa IBAMA nº 06/2026, o prazo para entrega do RAPP (ano-base 2025) foi prorrogado de 31 de março para 31 de maio de 2026. A prorrogação ocorreu por instabilidades no sistema e pela implementação de novos formulários.

Para o gestor ambiental, essa é uma oportunidade para revisar a consistência dos dados antes do envio. O IBAMA agora cruza os dados do SINIR com o RAPP: se você declarou no MTR o uso de big bags para determinado volume e classificação, o sistema espera encontrar a mesma volumetria e classificação no RAPP. Inconsistências superiores a 10% travam a emissão do Certificado de Regularidade (CR).

A recomendação é utilizar o período extra para auditar internamente a base de MTRs emitidos em 2025, comparando com o inventário do PGRS e os laudos de classificação.

Como a escolha da embalagem impacta o PGRS

A escolha da embalagem é, em 2026, um capítulo do PGRS — não um detalhe operacional. Embalagens homologadas com rastreabilidade de lote alimentam diretamente três componentes do plano: a especificação técnica (CAM, código ONU, tipo), a logística reversa (material rastreável para Certificado de Crédito de Reciclagem) e a consistência documental (dados inseridos no MDF-e e verificáveis no cruzamento SINIR-RAPP).

Big bags de procedência desconhecida, reutilizados ou sem rastreabilidade criam lacunas no PGRS que se manifestam em auditorias e no cruzamento digital do IBAMA.

Como montar uma central de resíduos alinhada ao PGRS 2026

A central de resíduos é a materialização física do PGRS. Uma central eficiente em 2026 deve ter piso impermeável com contenção, cobertura, sinalização atualizada com nomenclatura Classe 1/Classe 2 (sem referência às subclasses extintas), separação física por classe de resíduo, e espaço dimensionado para o tipo de embalagem utilizada.

Big bags homologados ocupam significativamente menos espaço que o equivalente em tambores: uma indústria que gera 10 m³ de resíduo Classe 1 por mês precisa de espaço para 50 tambores ou 10 big bags. A diferença de área é de 3 a 4 vezes, sem contar o espaço para tambores vazios. Essa diferença deve estar refletida no dimensionamento descrito no PGRS.

Perguntas frequentes sobre PGRS em 2026

Preciso atualizar meu PGRS com a nova NBR 10.004:2024? Sim. Toda referência às subclasses II-A e II-B deve ser substituída pela classificação Classe 1/Classe 2, e os laudos de classificação (LCR) precisam ser refeitos sob a nova norma.

O PGRS precisa incluir o plano de logística reversa? Sim, conforme Decreto 12.688/2025. Deve detalhar como a empresa atingirá a meta de 32% de recuperação de embalagens plásticas.

Qual o prazo do RAPP 2026? O prazo foi prorrogado para 31 de maio de 2026 (IN IBAMA 06/2026). Use o tempo extra para auditar a consistência MTR-RAPP.

Big bag pode ser descartado junto com o resíduo? Sim, no aterro industrial. Big bags de PP virgem rastreável ainda contribuem para a meta de logística reversa através do Certificado de Crédito de Reciclagem.